sábado, 20 de março de 2010

Review: Sands of Destruction (NDS)

Quando anunciado, o título desenvolvido pela Image Epoch e publicado pela SEGA captou muito o interesse daqueles que conheciam trabalhos como Chrono Trigger, Xenogears ou mesmo Grandia. A razão para isso era clara, afinal Sands of Destruction traz em seu time de produção nomes envolvidos com todos estes citados: como o compositor Yasunori Mitsuda e o escritor de cenário Masato Kato.

Aparentemente tudo isto nos direciona a um título de sucesso e mais um peso para a grande balança qualitativa de RPGs no NDS, e seguindo minhas experiências (e outras idênticas) chegamos ao texto abaixo com a conclusão sobre um dos produtos norte-americanos dentro do gênero mais esperados por nós do SideQuest no ano de 2010.


Acta est fabula: O palco do fim

De encontro ao ambiente desenvolvido por Masato Kato logo encontramos um enredo de premissa adulta e bem diferente dos padrões existentes no portátil. Sands leva ao jogador uma capacidade de destruição do próprio mundo apresentado, numa trama sobre o destino imutável daquele capaz de tal audácia.

Kyrie Illunis é um protagonista desestimulado e fora dos estereótipos animados e sempre prontos para salvar o dia, ainda que ele jamais deixe de lado sua humildade e compaixão para aqueles que lhe são importantes. Sua vida vira de ponta a cabeça quando ele descobre de forma involuntária um potencial próprio e extremamente perigoso, o de reduzir em grãos de areia tudo a sua volta.

Ao conhecimento disso Morte Asherah, uma integrante de um grupo temido e conhecido como Frente de Aniquilação Mundial, procura somar Kyrie ao seu time única e exclusivamente como uma arma, o instigando como um objeto para o propósito de destruição. O objetivo caótico por parte de mais uma entre o total de 6 protagonistas tem por trás um desejo de eliminar a opressão de um poderoso regime estabelecido pelos Ferals, raça que se julga superior ao ponto de humilhar a população humana. Ainda em relação aos seres antropomórficos, são eles quem desejam salvar o mundo – claro, quem gostaria de perder um posto privilegiado para uma "ralé" da sociedade? devem pensar –, criando uma antítese ilusória de que feras ditadoras são compassivas e nós antagonistas com um objetivo comum entre vilões de alta ambição.

Em contrapartida a tudo isso está o fato de que infelizmente o jogo não provou manter o conteúdo em um nível mais sério de abordagem do tema, o que é uma pena, pois acredito que algo envolvendo o fim de tudo deveria manter-se numa postura mais sólida (se no fim pensar assim, recomendo o mangá). Talvez o fato de ser um J-RPG tenha pesado em momentos mais cômicos da trama, os protagonistas são os principais culpados disso.

De qualquer forma, é tranqüilo dizer que a mesma trama é um dos fatores que motivam continuar no jogo.

365 dias em vão?

Caso não saiba a espera da versão norte-americana do original World Destruction deveria ter ocorrido em 2009, 1 ano depois do japonês. Mas o que ouvimos diante do atraso para Janeiro de 2010? que o jogo estaria recebendo melhorias e que seria comercializado juntamente de uma versão animada homônima para ajudá-lo em sua divulgação, um produto que para falar a verdade distorce o conteúdo do jogo e segue um caminho um pouco diferente, ou seja, não tão relevante.

Aparentemente a estratégia da SEGA não deu resultado, pois segundo o VGChartz o título não vendeu sequer 50 mil cópias desde seu lançamento no território norte-americano – também pudera, às vezes parece que o trabalho de divulgação da empresa sequer existe para alguns títulos. A culpa da SEGA e Imageepoch é inegável, pois nessa espera o que ouvimos entre entrevistas com produtor e presidente de respectivas empresas não se cumpriu: não houve melhora nos pontos criticados e o jogo permaneceu como uma experiência extremamente desbalanceada.

Vou detalhar os aspectos que acredito terem crucificado muito de um prazer aguardado que não ocorreu ao completo:

  • A princípio muitos podem ficar perdidos, o jogo não lhe apresenta um tutorial próprio para ensinar ao menos como lançar um ataque especial, ou como funciona mais especificamente o elo nas combinações entre os golpes; 
  • Breve você torna-se um Deus: as batalhas aleatórias são muitas e por isso um alto nível pode ser alcançado mais cedo do que se imagina (64 em menos de 30hrs?!);
  • A linearidade do jogo e o fato dele lhe apresentar umas poucas missões paralelas durante este mesmo percurso são aspectos graves, pois faz com que você cumpra tudo ao mesmo tempo diante da alta taxa de batalhas;
  • Caso passe batido por alguns dos elementos opcionais pode nunca mais ter chance de voltar atrás.

Na minha experiência, e em relação as batalhas, eu confesso que só tive desafio digno de um RPG na batalha final, sem exageros.


Mas nem só de pessimismo conseguimos viver, e o título tem seu valor agradável. Como antes bem mencionei a história foi um fator que manteve minha vontade em seguir em frente, unida das bem caracterizadas dublagens – não tanto as de Kyrie, que não refletem o estilo do personagem – e CGs de qualidade média. Sands of Destruction possui um estilo gráfico que sempre foi de meu agrado, onde mesclam cenários 3D com sprites, aqui funciona bem, sempre mantendo o apresentado entre movimentos de batalha e outros no nível mediano.

Apreciei também parte do trabalho de Mitsuda, mas parece que suas composições não lhe foram suficientemente boas a ponto de motivá-lo para um lançamento completo das faixas em um álbum, e o que vimos foi apenas o uma versão especial de 5 músicas acompanhadas com as edições reservadas do título japonês. Um dos destaques se encontra com o tema do jogo performado pela Orquestra Filarmônica da República Checa, além da trilha de fundo para o mapa global que eu por muito me peguei ouvindo várias vezes:


Conclusão da jornada

O que eu aguardo de forma sincera é que mesmo pela pouca popularidade do produto final esta aposta torne-se uma seqüência e uma promessa cumprida, consertando desde sempre os diversos pontos fracos do original. Sands of Destruction é uma boa experiência, nada mais, e por isso mesmo é uma pena afirmar que os nomes envolvidos não foram e não são suficientes para exceder em qualidade.

Um dos trailers divulgados para a versão norte-americana

2 Comentários:

Rodrigo disse...

Fiquei extremamente desapontado com esse jogo, que era um dos meus mais esperados do ano. Desafio ridículo, história pouco aproveitada, sistema de combate sem grandes atrativos, personagens fracos... enfim.

O que eu imaginava ser um grande RPG e que tivesse muitos fatores que o diferenciariam do restante (principalmente pela equipe que o produziu) se tornou apenas mais um.

Hazuki disse...

Obrigado pelo comentário Rodrigo!

Realmente parece que ou a imageepoch não conseguiu trabalhar com o peso do time, ou não foi mesmo capaz de criar um título equilibrado. Eu não posso falar muito de seus outros trabalhos, mas entre eles só me interessa agora 7th Dragon, que aposta em um estilo mais retro, porém ainda não há indícios de lançamento norte-americano ou mesmo europeu...

Por fim o pior de tudo foi constatar que não houve mesmo uma melhora no que criticavam, lástima.